13
Um homem nasceu sem sombra
- e na aldeia o evitavam.
No entanto, era apenas
um homem
cuja sombra não se externava.
Era como um mudo
que para dentro cantava
um paralítico
que internamente andava.
Sua sombra
era um pássaro
que sem asa
- voava.
30
Um homem foi visto
vagando no verão
sem sombra
às dez horas.
Tanta luz!
Por dentro
e fora.
Parecia a eternidade
quando se perde
do agora.
35
Era um homem que tinha vertigem
ante o poço da própria sombra.
Por isto retrocedia
quando em suas bordas pisava.
Sua sombra era um buraco negro
onde o dono
se abismava.
Affonso Romano de Sant’Anna
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
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