quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O HOMEM E SUA SOMBRA

13

Um homem nasceu sem sombra
- e na aldeia o evitavam.
No entanto, era apenas
um homem
cuja sombra não se externava.

Era como um mudo
que para dentro cantava
um paralítico
que internamente andava.
Sua sombra
era um pássaro
que sem asa
- voava.




30

Um homem foi visto
vagando no verão
sem sombra
às dez horas.

Tanta luz!
Por dentro
e fora.

Parecia a eternidade
quando se perde
do agora.



35

Era um homem que tinha vertigem
ante o poço da própria sombra.

Por isto retrocedia
quando em suas bordas pisava.

Sua sombra era um buraco negro
onde o dono
se abismava.




Affonso Romano de Sant’Anna

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