quarta-feira, 26 de junho de 2013

atmosfera


com ar no peito
caminha debaixo d'agua.
em tormenta
com cor de arco-íris,
com cheiro e gosto de relva.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

terça-feira, 18 de junho de 2013

kokoro




manifesto


minimamente
porém
em onda crescente

quarta-feira, 22 de maio de 2013

estrelas


quero,
muito bem acompanhada,
ver-te,
em breve

domingo, 7 de abril de 2013

kinpiragobo


nolimite, numinsuportável
tênueentre
engulomolhado
parauma boaingestão


sexta-feira, 5 de abril de 2013


chuva
para desnodar
a garganta

carta ao acaso



nuvens brancas
passam
              em brancas nuvens




p.leminski


sábado, 16 de fevereiro de 2013

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

irreversível


pêndulo
em
vôo livre

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

um olhar a cada dia


... ir atrás de rolos não revelados, todo esse caminho por algo que se crê perdido. Tem que ter muita fé. Ou é desespero.

... noites intermináveis escutando o gotejar dos líquidos. Às vezes soava como uma canção. Como uma canção. Soava como uma canção. Como uma canção...

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

rilke, rilke


"Mas lá fora, lá fora tudo é desmedido. E no momento em que o nível de fora sobe, também em ti ele se eleva, não nos vasos que estão parcialmente em teu poder, ou na fleuma de teus órgãos mais impassíveis: mas ele cresce nos vasos capilares, aspirado para o alto até às últimas ramificações de tua existência infinitamente ramificada. É aí que ele sobe, é aí que ele transborda de ti, mais alto que a respiração; e, como último recurso, tu te refugias como que no ápice do teu hálito. Ah, e onde depois, onde depois? Teu coração te expulsa para fora de ti mesmo, teu coração te persegue, e já estás quase fora de ti, e já não podes mais. Como um escaravelho no qual se pisou, vazas para fora de ti mesmo e teu resto de dureza ou de elasticidade já não tem sentido."

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

g.b.


o exterior e o interior são ambos íntimos; estão sempre prontos a inverter-se, a trocar sua hostilidade. se há uma superfície-limite entre tal interior e tal exterior, essa superfície é dolorosa dos dois lados... "estar-aí" vacila e treme. o espaço íntimo perde toda clareza. o espaço exterior perde seu vazio.

não dão atenção a atividade de uma imaginação efêmera porque incorporaram a angústia, bem antes que as imagens a ativassem no âmago do ser.

... prolongando o exagero, temos, com efeito, alguma possibilidade de escapar aos hábitos da redução. a propósito das imagens do espaço, estamos precisamente numa região em que a redução é fácil, comum.

viver, viver realmente uma imagem poética é conhecer, numa de suas pequenas fibras, um devir de ser que é uma consciência da inquietação do ser... de tal modo sensível que uma palavra o agita.

pierre-jean jouve


pois estamos onde não estamos.

lembranças do mar profundo


Meu peso apoiava-se em sonho nessa água imaginária.

g.b.

domingo, 27 de janeiro de 2013

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

pessoa fernando


Não ser é outro ser.

barros de manoel


Não sei de tudo quase sempre quanto nunca.

objeto


 4 x 3                               .
  3 x 2     .
      .                            2 x 4
.                          1 x 3      .              

castro, dezembro de 2012




ventos

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

a língua mãe


Não sinto o mesmo gosto nas palavras:
Oiseau e pássaro.
Embora elas tenham o mesmo sentido.
Será pelo gosto que vem de mãe? de língua mãe?
Seria porque eu não tenha amor pela língua
de Flaubert?
Mas eu tenho.
(Faço este registro
porque tenho a estupefação
de não sentir a mesma riqueza as
palavras oiseau e pássaro)
Penso que seja porque a palavra pássaro em
mim repercute a infância.
E oiseau não repercute.
Penso que a palavra pássaro carrega até hoje
nela o menino que ia de tarde pra
debaixo das árvores a ouvir os pássaros.
Nas folhas daquelas árvores não tinham oiseaux
Só tinha pássaros.
É o que me ocorre sobre língua mãe.

Manoel de Barros

sábado, 5 de janeiro de 2013

fora do equilíbrio


Ao passo que, no equilíbrio e perto do equilíbrio, as leis da natureza são universais, longe do equilíbrio elas se tornam específicas, dependem do tipo de processos irreversíveis. Esta observação é conforme a variedade dos comportamentos da matéria que observamos ao nosso redor. Longe do equilíbrio, a matéria adquire novas propriedades em que as flutuações, as instabilidades, desempenham um papel essencial: a matéria torna-se mais ativa. (Prigogine, 1996:68)

lusco fusco



Gosto desta palavra, pois lembra lesma fusca. Assim, o fusca ao invés de joaninha seria uma lesma, com uma casa redonda sobre ela. Andaria lentamente se arrastando e deixando uma gosma de rastro. Um índice de sua passagem. Só andaria no horário do entardecer e amanhecer. Meio de transporte só utilizado nas horas de luz mais bonita. Em outros horários a lesma fusca ficaria parada, servindo de abrigo. De dentro sairia uma música, a que for melhor de ouvir para cada momento. A acústica interna é muito boa. Veículo utilizado por pessoas desprendidas do tempo e do movimento e que gostam de deixar vestígios.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

bom bom


me pegue pelas partículas, amor, fazendo voar de disco-voador ou com o vento, que seja.
antes e depois.
durante, também.
assim, inacreditavelment3 verdadeiro.
amém.

amor


fundamental

temporal


amor


atemporal


o que dizem os astros, as cartas, os deuses, os números, os espíritos, as almas, as naturezas, os santos, as ficções, as histórias, as palavras... sobre a vida?
o que se sabe?
uma crença e um tapa na cara, juntos, estremecem a razão sem explicação.

moscas voando ao lado de beija-flores.

assim segue

vivendo

vendo

endo